Eu já fui algo além desse nada. Eu já fui feliz, já sorri, já vivi, já amei. Mas fui quebrada, me estraçalharam e algo dentro de mim morreu. Eu passei muito tempo questionando os motivos da vida, sofri com a alto tortura que a frustração nos leva e implorei para parar de sentir o que havia dentro de mim, estava acabando comigo, mas demorou e um dia eu cansei, me contentei e me dei conta de que quando você aprende a conviver com a dor, já não dói tanto, parece que ela faz parte de você, como se fosse um membro do seu corpo. E existir parece ser mais fácil. Acordar todo dia e levantar da cama já não é tão complicado. Quando nos decepcionados com alguém que a gente ama, o mundo parece desabar, o chão parece ceder e a dor parece interminável. O coração é picotado e o peito se abre em um buraco, como se você tivesse levado um tiro de 12. Nada mais importa, você padece e cai e não há motivos pra continuar, mas, uma energia dentro de nós nos mantém vivos é nós permanecemos existindo, a rotina é a mesma e nosso quarto é nossa câmara de sofrimento. Mas essa monotonia cansa e mesmo sem motivos, você muda, para de ter pena de si e segue a sua vida. Sua alma está morta, seu coração estraçalhaço e você quebrado, mas, seu corpo está ali, te pedindo pra agir e você age em pró de si mesmo e percebe que a vida é menos feliz e mais facil, quando vivemos por nós e não por alguém.
Luiza Ramalho